Excerto de uma entrevista de Jaime Neves ao jornal SOL
Colocou alguma vez a hipótese de sair do país antes do 25 de Novembro?
Nunca. A única coisa que defendi, como militar, para o 25 de Novembro, foi a hipótese de sair de Lisboa, ir para Rio Maior porque os Comandos tinham as rádios e os jornais diariamente contra nós e militarmente estávamos praticamente isolados. Éramos bombardeados de manhã à noite. Civis e militares chegaram a ir ao quartel ameaçar-nos. À segunda vez tracei uma linha na estrada e disse que abria fogo sobre o primeiro que a passasse. Nunca mais ninguém passou. A maior parte da malta com um berro desaparecia.
Mas tudo aconteceu no dia 25 de Novembro porque houve a ocupação pela esquerda militar das bases de Tancos...
Exactamente. Estávamos já preparados. Mas foi uma resposta. Eu estava preparado com o regimento há uma semana. Tinha as viaturas carregadas com munições e com comida.
O que se passou quando foi tomar a Policia Militar? Houve aí um problema...
Houve. Quando vou a passar na Calçada da Ajuda, vem um tenente-coronel a correr de dentro do palácio de Belém que me grita: ‘Oh pá, o Costa Gomes deu ordens e a Policia Militar vai render-se’. E eu disse-lhe: ‘Oh pá, eu não posso fazer nada porque o meu comando deu ordens para avançar e eu estou atrasado 10 segundos’.
Quem era na altura o seu comando?
Era o Eanes e os outros oficiais que já referi.
E depois o que aconteceu?
Eu sigo para cima e quando vou a passar à frente de Cavalaria 7, estava lá a recruta, fomos atacados. Apeamo-nos rapidamente. Dois dos meus homens estavam mortos (Tenente Comando José Eduardo Oliveira Coimbra e o Furriel Miliciano Comando Joaquim dos Santos Pires) e o meu pessoal queria matar duzentos. Tive que andar aos pontapés ao meu pessoal para não dispararem. Eles só choravam. Olhe que durante anos, quando fazíamos manobras militares, em qualquer terra onde chegávamos as pessoas diziam-me: 'Você é que é o culpado disto porque não matou os gajos todos da Policia Militar E eu respondia: ‘Olhe lá, e se estivesse o seu filho na Policia Militar, não estaria a falar comigo agora aqui’.
Aqui RIO MAIOR é apontado como reduto de liberdade, com gente disposta a combater por ela. Foram tempos heróicos que os socialistas que durante VINTE E QUATRO ANOS nos governaram TENTARAM a todo o custo que nos "envergonhássemos" deles. Que vão morrer longe!